Eden Antonio
Uma jornada de fé, sacrifício e visão que transformou a falência em revolução
Quando Tudo Está Perdido, É Aí Que a Verdadeira Jornada Começa.
Kwame olhava para o papel amassado na sua mão, a notificação de falência iminente da empresa onde trabalhava há doze anos. Não era apenas um emprego. Era sua vida, sua identidade, seu propósito. A pequena empresa de distribuição em Luanda tinha resistido a crises econômicas, mudanças políticas, concorrência desleal. Mas desta vez, os números não mentiam, restavam três meses antes de fechar as portas definitivamente.
Ele poderia ter feito o que os outros vendedores fizeram… procurar emprego em outra empresa e salvar-se antes do naufrágio. Seria uma decisão lógica, sensata e compreensível. Mas Kwame não era movido apenas pela lógica. Ele tinha algo mais profundo: fé. Não a fé passiva que apenas espera milagres, mas a fé que age, que luta, que se recusa a aceitar a derrota como definitiva.
“Se esta empresa vai morrer”, ele disse para si mesmo, “não será porque eu não tentei tudo. Não será porque eu desisti.”
Naquele momento, sentado no seu modesto apartamento em Luanda, Kwame não sabia que estava prestes a embarcar numa jornada que não apenas salvaria uma empresa, mas transformaria um mercado inteiro em África.

A Visão Que Ninguém Mais Conseguia Ver
Durante semanas, Kwame analisou tudo: os produtos que distribuíam, os clientes que atendiam, os fornecedores que tinham. A empresa distribuía principalmente cosméticos e produtos de tecnologia dois mercados completamente diferentes, com desafios únicos.

Os produtos femininos de beleza eram de boa qualidade, mas vinham de um fornecedor europeu que simplesmente não entendia o mercado africano. As cores estavam erradas para a pele africana. As embalagens eram eurocentradas. O marketing inexistente. Resultado? Productos excelentes encalhados em prateleiras, acumulando pó enquanto o dinheiro evaporava.
Os productos de tecnologia eram ainda mais complicados. Vinham de um fornecedor asiático que via África apenas como um mercado de escoamento para modelos antigos. Smartphones de gerações passadas, acessórios defasados, tecnologia que já estava ultrapassada quando chegava ao continente. E pior, zero suporte pós-venda, zero adaptação às necessidades locais.
A verdade dolorosa era clara, a empresa não estava falhar porque os angolanos não queriam comprar. A empresa estava a falhar porque estava a tentar vender o que não servia, não estava a encantar da forma certa, as pessoas cujas necessidades reais ninguém estava estudar ou tentar entender.
Então o Kwame teve uma visão. Não era uma questão de vender mais do mesmo. Era uma questão de transformar tudo… serviços e produtos, abordagem, mentalidade. Mas para isso, ele não podia apenas falar com os gestores locais ou representantes regionais. Ele precisava ir direto à fonte. Precisava tocar os corações dos donos desses fornecedores. Precisava fazer o impossível, convencê-los a investir em algo novo, num continente novo, África que eles mal conheciam, através de uma empresa que estava em falencia tecnica.
Era loucura. Era improvável. Mas era a única chance.
A Jornada de Mil Sacrifícios Começa com Um Passo
Kwame vendeu tudo que tinha de valor: o seu carro usado, algumas mobilias, até o relógio que o seu pai lhe tinha dado. Juntou dinheiro suficiente para duas passagens de avião uma para Paris, onde ficava a sede do fornecedor de cosméticos, outra para Shenzhen, China, onde estava o fornecedor de tecnologia.
A sua esposa olhou para ele com uma mistura de admiração e medo. “E se não der certo?”, ela perguntou, com lágrimas nos olhos.
“Se não der certo”, Kwame respondeu segurando as mãos dela, “voltarei sem nada. Mas pelo menos voltarei com certesa que tentei, que dei tudo de mim. E isso, meu amor, é melhor do que viver com o ‘e se’ pelo resto da vida.”
Ela abraçou-o com força. Ela não entendia completamente a visão dele, mas entendia o coração dele. E isso era o suficiente.
A primeira paragem foi em Paris. Kwame nunca tinha estado na Europa. Não falava francês fluentemente. Não tinha contactos importantes. Tudo que tinha era uma proposta escrita à mão em inglês, uma apresentação em PowerPoint num laptop emprestado, e uma convicção ardente de que tinha algo importante para dizer.
O Fornecedor Francês: Quando a Lógica Encontra o Coração
A Beauté Éternelle era uma empresa familiar de cosméticos com 80 anos de história. Madame Rousseau, a CEO, tinha herdado o negócio do pai e estava sob pressão dos acionistas para expandir mercados ou vender a empresa. Ela não tinha tempo para um vendedor angolano desconhecido de uma empresa falida.
Kwame passou três dias a lutar para conseguir uma reunião. Ligou inúmeras vezes. Enviou emails. Foi pessoalmente ao escritório e foi educadamente mandado embora pela segurança. No terceiro dia, já sem dinheiro para mais noites de hotel, ele fez algo desesperado: esperou na porta até que Madame Rousseau saísse.
“Madame”, ele disse em francês improvisado, quando ela apareceu, “por favor, apenas cinco minutos. Vim de Ángola para lhe mostrar como sua empresa pode lucrar mais e transformar milhões de vidas.”
Ela parou. Talvez tenha sido a coragem dele. Talvez tenha sido algo no olhar dele. Talvez Deus simplesmente tenha tocado o coração dela naquele momento. “Cinco minutos”, ela disse. “No meu carro, enquanto vou para a próxima reunião.”
Aqueles cinco minutos mudaram tudo…
Kwame não falou sobre números de vendas ou participação de mercado. Falou sobre a sua irmã, que tinha pele escura e linda, mas que passava horas tentando encontrar base que combinasse com seu tom. Falou sobre sua esposa, que comprava cremes europeus caros que prometiam resultados mas ignoravam completamente as características da pele africana. Falou sobre milhões de mulheres africanas que queriam produtos de qualidade, mas que precisavam de productos feitos para elas, não adaptados de outros mercados.
“Madame”, ele disse com voz carregada de emoção, “a senhora tem 80 anos de conhecimento em beleza. Mas está vender para África como se estivesse a vender para Paris. E África não é Paris. África é como uma mulher linda com a sua forma própria e unica. E essa beleza crua e rude está representa um mercado que alguém veja verdadeiramente tal como diferente é unico.”

Madame Rousseau ficou em silêncio. Eles tinham chegado ao destino dela, mas ela não saiu do carro. Pegou o telefone e cancelou a próxima reunião.
“Vamos para o meu escritório”, ela disse. “Sr. Kwame tem mais do que cinco minutos agora. O Sr. tem o tempo que precisar.”
A Proposta Que Tocou Um Coração Francês
Naquele escritório elegante em Paris, Kwame abriu seu laptop e apresentou não apenas números, mas uma visão. Ele tinha pesquisado exaustivamente. Tinha fotos de mulheres africanas, pesquisas sobre tons de pele, dados demográficos, tendências de consumo. Mas mais importante que os dados era a paixão.
“O mercado africano de cosméticos vai explodir nos próximos dez anos”, Kwame explicou. “Mas não para empresas que tratam África como um mercado secundário. Vai explodir para quem verdadeiramente investir, quem criar produtos específicos, quem entender que a mulher africana não quer parecer europeia – ela quer parecer linda sendo africana.”
Ele apresentou a proposta: uma linha completa de produtos Beauté Éternelle especificamente desenvolvida para pele africana. Doze tons de base cobrindo todo o espectro de pele negra. Cremes formulados para o clima e características únicas. Embalagens com modelos africanas. Marketing em línguas africanas. E o mais importante: desenvolvimento em parceria com mulheres africanas, não apenas pesquisa de mercado, mas cocriação verdadeira.
“E porque”, Madame Rousseau perguntou com ceticismo profissional, “eu deveria investir milhões numa empresa que está falindo em Angola?”
Kwame respirou fundo. Era o momento da verdade.
“Porque a senhora não está investindo numa empresa falida. Está investindo numa visão. Está investindo em fazer parte de algo maior que lucros trimestrais. Veja, Madame, eu sei que sua empresa tem 80 anos. Eu li sobre seu avô, que fundou Beauté Éternelle porque acreditava que toda mulher merecia sentir-se bonita. Essa era a missão dele. Mas ao longo dos anos, essa missão ficou esquecida debaixo de relatórios financeiros e pressões de acionistas.”
Ele fez uma pausa, deixando as palavras penetrarem.
“Estou oferecendo a oportunidade de voltar àquela missão original. De fazer o que seu avô fazia: ver mulheres que são invisíveis para o mercado e dizer ‘vocês merecem o melhor’. Sim, minha empresa está falindo. Mas isso não é um defeito – é uma purificação. Estamos morrendo para o jeito antigo de fazer negócios para que algo novo possa nascer.”
Madame Rousseau olhou para ele por um longo momento. Então fez algo inesperado: chorou.
“Meu avô”, ela disse com voz trêmula, “sempre dizia que negócios sem propósito são apenas dinheiro trocando de mãos. Que o verdadeiro sucesso é quando você muda vidas. Eu tinha esquecido disso. Obrigada por me lembrar.”
Ela abriu uma pasta e começou a escrever. “Vou propor ao conselho um investimento inicial de dois milhões de euros. Mas não é um investimento cego. Quero parceria verdadeira. Quero que sua empresa seja nossa voz em África. Quero que vocês nos ensinem o que não sabemos. E quero começar em Angola, provar o conceito, depois expandir.”
Kwame não conseguiu falar. As lágrimas escorriam livremente pelo seu rosto. A primeira parte da missão impossível tinha sido cumprida.
Shenzhen: Quando a Tecnologia Encontra a Humanidade
Se Paris tinha sido sobre tocar o coração, Shenzhen seria sobre despertar a visão. Chen Wei, CEO da TechGlobal Industries, era o oposto de Madame Rousseau. Jovem, agressivo, focado apenas em números. Sua empresa era uma máquina de produção: eficiente, impessoal, implacável.
Kwame tinha conseguido a reunião através de uma série de contactos improváveis. Mas diferente de Paris, aqui ele tinha exactamente 30 minutos marcados, e sabia que Chen Wei não era homem de emoções.
“Trinta minutos”, Chen disse em inglês perfeito quando Kwame entrou na sala de reuniões futurista. “E seja direto. Tempo é dinheiro.”
Kwame ajustou a estratégia instantaneamente. Com Madame Rousseau, ele tinha apelado ao coração. Com Chen Wei, precisava apelar à ambição.
“Quantos smartphones sua empresa vendeu em África no último ano?”, Kwame perguntou.
Chen franziu a testa, surpreso pela pergunta direta. “Aproximadamente 800 mil unidades.”
“E qual foi a margem de lucro?”
“Isso é confidencial.”
“Deixe-me adivinhar: baixa. Porque vocês estão vendendo modelos antigos com desconto pesado, competindo com dezenas de outras empresas chinesas fazendo exatamente a mesma coisa. Vocês são mais uma voz no meio do ruído.”
Chen cruzou os braços, defensivo mas interessado. “E você tem uma solução?”
“Tenho uma visão”, Kwame corrigiu. “África não precisa de mais smartphones baratos e ultrapassados. África precisa de tecnologia desenvolvida para os desafios africanos. Deixe-me dar exemplos concretos.”
Kwame abriu seu laptop e mostrou pesquisas que tinha feito pessoalmente. “Primeiro: conectividade. 60% da África ainda não tem acesso consistente a internet rápida. Mas em vez de desenvolver telefones que funcionem perfeitamente com conexões 2G e 3G, vocês enviam modelos que só brilham com 5G que não existe aqui.”
“Segundo: bateria. A energia elétrica em muitas regiões é irregular. As pessoas precisam de baterias que durem dias, não horas. Mas vocês mandam modelos com bateria de 3000mAh quando deveriam mandar 10000mAh.”
“Terceiro: durabilidade. Estradas com muita poeira, climas extremos, uso pesado. As pessoas precisam de telefones robustos. Vocês mandam dispositivos frágeis.”
“Quarto: preço. Não só barato – acessível de verdade. Financiamento que funcione com as realidades africanas. Pagamento móvel integrado que já é a norma aqui.”
Chen estava inclinado para frente agora, totalmente envolvido.
“Continue”, ele disse.
A Visão Que Despertou Um Gigante
“Aqui está a verdade, Sr. Chen: África é o mercado de crescimento mais rápido do mundo para tecnologia. Mas não para tecnologia genérica. Para tecnologia que resolve problemas africanos. Imagine uma linha de produtos TechGlobal especificamente para África. Não sobras. Não modelos antigos. Produtos novos, desenvolvidos do zero pensando em África.”
Kwame clicou para o próximo slide, mostrando mockups que ele tinha criado com um designer freelancer.
“O AfricaPhone. Bateria de 15000mAh. Design robusto com certificação IP68. Otimizado para redes 2G/3G/4G com alternância inteligente. Painéis solares integrados para carregamento. Aplicações pré-instaladas para pagamento móvel, agricultura de precisão, telemedicina. Preço: metade do que vocês cobram agora, mas vendendo o dobro porque finalmente estão oferecendo o que as pessoas precisam.”
Chen estava digitando furiosamente no seu tablet. “Os custos de desenvolvimento…”
“São altos no começo”, Kwame admitiu. “Mas pense no mercado: 1,3 bilhões de pessoas. Uma classe média crescendo exponencialmente. Um mercado virgem para quem tiver visão. E aqui está o que ninguém está te dizendo: os africanos não querem caridade, querem qualidade. Não querem restos, querem respeito. A empresa que entender isso primeiro vai dominar o mercado pelos próximos vinte anos.”
Ele fez uma pausa para o golpe final.
“E Sr. Chen, com todo respeito: eu pesquisei sua empresa. Vocês são os décimo terceiros em vendas na China. Quintos em vendas globais. Vocês são bons, mas não são especiais. Aqui está a chance de serem pioneiros. De serem os primeiros a verdadeiramente verem África não como um mercado de descarte, mas como O mercado do futuro.”
O silêncio na sala era denso. Chen olhava fixamente para Kwame, depois para os mockups, depois de volta para Kwame.
“Você é vendedor de uma empresa falida em Angola”, Chen disse lentamente. “Como posso confiar que você pode fazer isso acontecer?”
Quando a Fé Encontra a Oportunidade
Era a pergunta certa. A pergunta que Kwame sabia que viria. E ele tinha a resposta – não uma resposta de negócios, mas uma resposta de alma.
“Sr. Chen, deixe-me contar uma história. Há doze anos, comecei como vendedor porta-a-porta. Vendia qualquer coisa – sabonetes, velas, pequenos utensílios. Era duro. Muitas portas fechadas na cara, muita rejeição, pouco dinheiro. Mas aprendi algo: as pessoas não compram produtos. Compram de pessoas em quem confiam.”
“Ao longo desses anos, construí relacionamentos. Não só com clientes, mas com comunidades inteiras. Eu conheço os líderes comunitários em cinquenta cidades angolanas. Conheço os donos de lojas, os distribuidores, os influenciadores locais. Sei exatamente como fazer este produto chegar às mãos certas.”
“Minha empresa está falindo porque mantivemos o modelo antigo tempo demais. Mas eu não. Eu evoluí. Aprendi. E agora tenho algo que seus outros distribuidores não têm: conexão real com o mercado.”
Kwame levantou-se, caminhando até a janela que dava vista para a Shenzhen futurista.
“Olhe para esta cidade. Há trinta anos, era uma vila de pescadores. Hoje é o centro tecnológico do mundo. Isso aconteceu porque alguém teve visão. Alguém viu o que poderia ser, não o que era.”
Ele virou-se de volta para Chen.
“África é a próxima Shenzhen. E você pode fazer parte disso ou assistir outros fazerem enquanto você continua enviando modelos antigos para mercados que não os querem.”
Chen ficou em silêncio por muito tempo. Então sorriu o primeiro sorriso genuíno desde que Kwame entrara.
“Você é ou muito corajoso ou muito louco. Talvez ambos”, Chen disse. “Mas eu admiro isso. Vou propor ao conselho um investimento de três milhões de dólares para desenvolver e testar a linha AfricaPhone em parceria com sua empresa. Mas tem condições.”
“Quais?”, Kwame perguntou, coração acelerado.
“Você pessoalmente tem que lidera a estratégia de mercado. A sua empresa reestrutura completamente sem dívidas antigas, começo limpo. E nós não somos apenas fornecedores, somos parceiros. 30% de participação acionária na operação africana. E se funcionar em Angola, expandimos para todo o continente.”
Kwame estendeu a mão, tremendo. “Acordo feito.”

O Retorno do Herói
O voo de volta para Luanda foi o mais longo da vida de Kwame. Não pelo tempo, mas pela antecipação. Ele tinha conseguido. Contra todas as probabilidades, com recursos mínimos, movido apenas por fé e visão, ele tinha feito o impossível.
Mas quando o avião aterrissou e ele viu Luanda do ar, algo mudou dentro dele. Não era mais sobre salvar uma empresa. Era sobre transformar um continente.
A empresa foi reestruturada completamente. As dívidas antigas foram negociadas e quitadas com parte do investimento inicial. Uma nova visão foi implementada. E Kwame, que tinha começado como vendedor, agora era Diretor de Operações Estratégicas para África.
Nos primeiros seis meses, lançaram a linha Beauté Africaine em Angola. Foi um sucesso estrondoso. Mulheres que nunca tinham encontrado produtos adequados agora tinham opções desenvolvidas especificamente para elas. As vendas superaram projeções em 300%.
Um ano depois, lançaram o AfricaPhone. Foi revolucionário. Pela primeira vez, africanos tinham tecnologia pensada para suas necessidades reais. A bateria duradoura mudou vidas em áreas rurais. O painel solar significava independência energética. As aplicações integradas abriram oportunidades econômicas.
Mas o mais importante não foram os números – foram as histórias.
As Vidas Que Mudaram
Havia Amina, a empreendedora de 23 anos em Benguela que usou o AfricaPhone para começar um negócio de vendas online, tirando sua família da pobreza.
Havia Maria, que pela primeira vez na vida se sentiu verdadeiramente bonita usando produtos Beauté Africaine feitos para sua pele, sua beleza, sua realidade.
Havia Dr. Tchimuco, que usou o AfricaPhone com app de telemedicina para atender pacientes em vilas remotas onde não havia hospitais.
Havia centenas, milhares, depois dezenas de milhares de histórias assim. Cada uma representando não apenas uma venda, mas uma vida tocada, uma oportunidade criada, um potencial realizado.
A empresa não apenas sobreviveu – floresceu. Em três anos, expandiu para seis países africanos. Em cinco anos, era referência continental. Madame Rousseau visitou pessoalmente Angola e chorou ao ver mulheres usando seus produtos. Chen Wei abriu um centro de pesquisa e desenvolvimento em Luanda para criar tecnologia especificamente africana.
A Lição Que Kwame Ensinou ao Mundo
Mas a maior transformação não foi nas empresas ou nos produtos. Foi em Kwame.
Aquele vendedor desesperado que tinha vendido tudo para comprar passagens de avião tinha se transformado em visionário, líder, agente de mudança. E quando perguntavam como ele tinha feito, sua resposta era sempre a mesma:
“Eu não fiz nada de especial. Apenas recusei-me a aceitar que o fim era o fim. Deus prepara uma mesa farta para nós, mas cabe a nós nos levantarmos e colocarmos no prato o que já nos pertence. Eu me levantei.”
Ele começou a dar palestras. Não sobre técnicas de vendas ou estratégias de negócios, mas sobre algo mais profundo:
“O mundo está cheio de problemas esperando por soluções. E todos nós temos talentos, paixões, habilidades. Mas muitos de nós guardamos esses dons, esperando pelo momento perfeito, pela oportunidade ideal, pela segurança total. E enquanto esperamos, o mundo continua sofrendo com problemas que poderíamos resolver.”
“Eu era apenas um vendedor. Não tinha educação formal em negócios internacionais. Não tinha contactos poderosos. Não tinha dinheiro. Mas tinha algo que muitos executivos bem-sucedidos perderam ao longo do caminho: eu tinha convicção. Convicção de que meu talento não era só meu – era um presente que o mundo precisava.”
Os Gêmeos Que Vivem em Todos Nós
“Dentro de cada um de nós”, Kwame dizia nas palestras, “vivem dois gêmeos. Um é o desejo de vencer – aquela chama que nos faz querer mais, fazer mais, ser mais. O outro é a revolta das decepções – aquela fúria santa contra cada ‘não’, cada porta fechada, cada vez que fomos subestimados.”
“Sozinhos, esses gêmeos nos destroem. O desejo sem revolta nos faz fracos, desistindo na primeira dificuldade. A revolta sem desejo nos faz amargos, queimando tudo sem construir nada.”
“Mas juntos? Juntos eles criam combustível puro. A revolta nos tira da passividade. O desejo nos dá direção. E nessa mistura de sentimentos, nós não apenas sobrevivemos – nós transformamos.”
Foi essa filosofia que Kwame levou não apenas para sua empresa, mas para toda uma geração de empreendedores africanos. Ele criou um programa de mentoria onde jovens vendedores e empreendedores aprendiam não apenas técnicas, mas mentalidade.
“Ser feliz é obrigatório”, ele insistia. “Não a felicidade superficial de quem ignora problemas, mas a felicidade profunda de quem sabe que está vivendo seu propósito. Eu era mais feliz vendendo porta-a-porta com propósito do que seria num escritório luxuoso sem sentido.”
O Preço da Transformação
Mas Kwame era honesto sobre os custos. Ele não romantizava a jornada.
“Isso custou caro”, ele admitia. “Não apenas financeiramente. Custou noites de insônia questionando se estava louco. Custou momentos de vergonha quando fui mandado embora por seguranças. Custou lágrimas quando achei que tinha falhado. Custou relacionamentos com pessoas que não entendiam minha visão.”
“Precisamos de conhecimento e eu aprendi mais nesses meses do que em anos de experiência. Precisamos de tempo para desenvolver o talento e foram anos de erros antes dos acertos. Precisamos de maestria sobre nós mesmos e isso significou enfrentar meus medos, minha tendência de desistir, minha voz interna que dizia que eu não era suficiente.”
“Isso é fé. Não a fé que apenas ora e espera, mas a fé que age. A fé que persiste. A fé que se levanta depois de cada queda. A fé que vence e conquista não pela força, mas pela persistência.”
O Legado Que Continua
Hoje, dez anos depois daquela jornada impossível, a empresa não é apenas sucesso comercial – é movimento. A Beauté Africaine agora tem laboratórios em cinco países africanos, empregando cientistas e pesquisadores locais. O AfricaPhone evoluiu para uma linha completa de tecnologia africana, incluindo tablets para educação, dispositivos agrícolas, e equipamentos médicos.
Mas mais importante: a visão se espalhou. Outros empreendedores viram o que Kwame fez e entenderam a lição: África não precisa de caridade nem de sobras. África precisa de parceiros que vejam seu potencial, investidores que acreditem em sua capacidade, produtos desenvolvidos para suas necessidades reais.
Kwame ainda trabalha todos os dias. Ainda é o primeiro a chegar e o último a sair. Mas agora faz algo diferente: abre portas para outros. Investe em jovens empreendedores. Conecta visionários africanos com recursos globais. Prova todos os dias que o sucesso verdadeiro não é só sobre subir – é sobre levantar outros no processo.
“Deus é amor”, ele diz, “mas também é fogo consumidor. Ele nos ama demais para nos deixar confortáveis na mediocridade. Aquele medo que senti? Era o fogo queimando minhas limitações. Aquela incerteza? Era o fogo consumindo minhas desculpas. Aquele desconforto? Era o fogo refinando meu caráter.”
O Convite Final Para Você
Esta é a história de Kwame. Mas pode ser também a sua história.
Talvez você não seja vendedor. Talvez sua empresa não esteja falindo. Talvez sua missão não seja em África. Mas a essência é universal:
Você tem talentos, paixões, habilidades que não são apenas seus. São presentes que o mundo precisa.
Quando um caminho se recusa a abrir, talvez seja sinal para explorar terreno novo onde seu verdadeiro chamado floresça.
A mesa está preparada. O convite está feito. Mas você precisa se levantar e colocar no seu prato o que Deus já preparou para você.
A pergunta não é se você é capaz. A pergunta é se você terá coragem.
Kwame não era especial. Não tinha superpoderes ou sorte extraordinária. Tinha apenas três coisas: fé que age, visão que persiste, e coragem de tentar quando todos os sinais diziam para desistir.
E essas três coisas estão disponíveis para você agora. Neste momento. Não amanhã, não quando as circunstâncias melhorarem, não quando você se sentir pronto.
Agora.
Porque o mundo não precisa de mais pessoas esperando pelo momento perfeito. O mundo precisa de pessoas imperfeitas que ousam começar. De vendedores que viram visionários. De funcionários que viram líderes. De sonhadores que viram realizadores.
Kwame olha para trás na jornada e vê a mão de Deus em cada passo – nos nãos que o redirecionaram, nas portas fechadas que o levaram para as certas, nas impossibilidades que se tornaram milagres quando ele ousou agir.
E ele diz para você, com a autoridade de quem viveu essa transformação:
“Sua jornada impossível está esperando. Seus fornecedores – sejam eles de produtos, oportunidades, ou propósito – estão lá fora esperando alguém com visão suficiente para tocá-los. Seu continente – seja ele geográfico ou metafórico – está esperando por transformação.”
“A única pergunta que resta é: você vai ficar olhando para a falência, ou vai comprar a passagem?”
Deus é amor. Deus é fogo. E Ele quer ver o que nos vamos faer com os dons que ELE nos deu.
A mesa está posta. Levante-see sirva-se.



