Como a Arte e a Ancestralidade Transformam Vidas

By Henda De Morais


Na Baía de Luanda, deparei-me com uma presença silenciosa e majestosa, uma Raia. Não sei se era macho ou fêmea, mas sua elegância flutuante fez-me travar a pressa do quotidiano. Ali, diante daquelas águas, fui obrigada a parar. A observar. A respirar.

Ela nadava com uma altivez que parecia sussurrar:
“A verdadeira força não está na velocidade, mas na paciência. A verdadeira liberdade não está na ausência de obstáculos, mas na capacidade de os navegar com graça.”

Aquela raia símbolo ancestral de proteção, adaptação e sabedoria em tantas culturas tornou-se meu espelho naquele dia.

Lembrou-me que, mesmo quando queremos desistir, a vida nos oferece encontros inesperados para nos reconectar com a coragem que já habitava em nós.

No mesmo dia, visitei uma exposição no Centro de Arte e Cultura.
Lá, encontrei homens e mulheres em cadeiras de rodas, com corpos que a sociedade insiste em chamar de ‘diferentes’. Pessoas com braços curtos, três dedos em cada mão, rostos transformados pelo fogo…

Mas seus olhos brilhavam. Suas mãos criavam arte. Suas almas cantavam poemas de resiliência.

@originalkellykey

Zungueiras: mulheres fortes, provedoras e guerreiras, que inspiram a vida💪 🎥 @tpfilmes_ @tiagopiresfilmes Comente + Angola, que eu trago mais conteúdos assim. #angola #zungueira #kellykey

♬ African beat – Made By J


Assim como a Raia na Baía de Luanda, as zungueiras são símbolos vivos de resistência, adaptação e força. Elas carregam mercadorias na cabeça, enfrentam o sol, o cansaço e as dificuldades da rua, mas nunca perdem a altivez. São mulheres que, através do seu trabalho, sustentam famílias, movimentam economias informais e mantêm viva a cultura do comércio tradicional angolano.

Zungeiras, ou Quintadeiras, João Rodrigues, fotógrafo português

Assim como os artistas da exposição “Inspiração“, as zungueiras transformam limitações em oportunidades. As suas vozes, as suas histórias e a sua resiliência são formas de arte urbana performances diárias de sobrevivência e dignidade.

Como Isso Pode Ajudar as Zungueiras?

Arte como Ferramenta de Valorização

    • Projetos artísticos (fotografias, documentários, performances de rua) podem contar as histórias das zungueiras, mostrando sua importância cultural e económica. Isso gera respeito e reconhecimento social.

    Economia Criativa como Oportunidade

      • Oficinas de artesanato, design ou empreendedorismo podem ajudá-las a transformar seus produtos (como cestos, tecidos ou alimentos) em marcas valorizadas, aumentando seus rendimentos.

      Conexão com Símbolos de Força

        • Associar a imagem das zungueiras à força simbólica de elementos ancestrais (como a raia) cria narrativas de empoderamento. Campanhas com o lema Zungueiras: Como as Raias, Navegam com Força e Elegância.
        1. Inclusão em Espaços Culturais
        • Levar a voz e o trabalho das zungueiras para galerias, feiras de arte e eventos públicos (como a exposição “Inspiração”) amplia seu acesso a redes de apoio e oportunidades económicas.

        Foi o caso de João Rodrigues, fotógrafo português a trabalhar em Angola, que retratou as mulheres zungueiras através da sua lente, simplesmente porque a sua forma de vida o cativou. Ele

        Projetos de Arte-Comércio

          • Exemplo: criar uma “Feira de Arte Zungueira” onde elas possam vender seus produtos junto com exposições de artistas locais, unindo economia solidária e expressão cultural.

          Observação:
          A raia me lembrou que a força está na adaptação.
          Os artistas da exposição me mostraram que a arte está na superação. As zungueiras provam isso todos os dias.

          Que tal criar um mural em Luanda com retratos de zungueiras e raias? Ou um documentário que una suas vozes ao simbolismo deste encontro ancestral?

          A arte transforma e elas já as são obras-prima. Vamos honrar quem navega adversidades com graça e força.

          Pensem nisso. Apoiem isso. Transformem com isso.

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